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SISTEMA DE COTAS, UM EQUILÍBRIO SOCIAL?

Os princípios norteadores que regem a Administração Pública, mandamentos de otimização, sob o influxo do pensamento de Robert Alexy, objetivam realizações em sua maior medida possível. Para embasar o debate polêmico do tema proposto, destacarei o Princípio da Igualdade, como um dos princípios que considero fundamental para o Estado Democrático de Direito.

Na verdade, por mais esdrúxulo que possa parecer, para alcançar a verdadeira igualdade, é necessário que sejam criados elementos discriminatórios que sirvam ao fim Constitucional, objetivando equilibrar uma desigualdade histórica. No que tange a Igualdade Formal, perante a Lei, a CF admite tratamento igual a todos os seres. Já no que se refere à igualdade material, perante os Bens da Vida, observamos a exigência da redução das desigualdades de uma maneira mais objetiva, buscando uma atuação positiva do Estado.

As Ações Afirmativas ou Discriminatórias, ligadas a idéia de igualdade material, surgiram na Índia em 1947, e consistem em verdadeiras políticas públicas, desenvolvidas com o objetivo de reduzir desigualdades, provenientes de discriminações ou hipossuficiências, por meio da concessão de algum benefício compensatório. Ligado a idéia, o Sistema de Cotas, principalmente o atinente aos negros e aqueles oriundos de escola pública, visa minimizar toda uma história de subjugação e atrocidades, vivenciadas pelo negro, como também, oferecer oportunidades àqueles que vieram de um ensino com mais dificuldades à ingressarem na Universidade Federal.

Embora existam entendimentos divergentes, compactuo do pensamento favorável, principalmente para que “na atualidade”, tal critério diferenciador sirva para minimizar uma dívida histórica. E no que se refere aos estudantes do ensino público, penso que, para equilibrar a situação vivenciada pelos mesmos a diferenciação se mostra salutar.

Aqueles que pensam contrariamente afirmam que criar diferenciações fere cristalinamente o Princípio da Igualdade, como também, defendem que o Sistema de Cotas não resolve o problema. Para eles, o que realmente precisa existir é um incentivo na melhoria do ensino público. Respeito essas argumentações, mas não coaduno com tal pensamento. O Estado deve sim, implementar medidas consideradas paliativas, mas que são visivelmente necessárias ao equilíbrio social.

Texto: Joelma da Silva Alves

Foto: Joelma Alves

Pergunta:

O que você pensa do Sistema de Cotas?

6 comentários para “SISTEMA DE COTAS, UM EQUILÍBRIO SOCIAL?”

  1. José Teixeira disse:

    Parabéns pelo texto. Reconheço a necessidade da Justiça Social para que aconteça de fato a democracia. Sou favorável a um sitema de cotas quando pensado dentro de um tempo delimitado. Um tempo que governo e sociedade teriam para discutirem e implementarem mudanças significativas na escola pública. Não é exagerado repetir: somente uma escola pública, gratuita e de qualifidade poderá propiciar a verdadeira emancipação das classes sociais menos favorecidas. O Brasil tem uma dívida com os negros? A dívida não será paga oferecendo um acesso mais fácil à universidade! Temos um problema sério de distribuição de rendas e de acesso aos direitos básicos. Acredito que a emancipação pode resultar da educação, mas esta emancipação acontece aos poucos. A educação é apenas, talvez o mais importante, elemento do processo. Mas um elemento que requer tempo para que seus resultados apareçam!

    Até breve!

  2. MÁRIO RABELO disse:

    FIQUEI ENCANTADO!

  3. MÁRIO RABELO disse:

    FICO FELIZ DE PERCEBER QUE UMA MENINA TÃO JOVEM POSSUI UM AMADURECIMENTO INTELECTUAL TÃO GRANDE. FIQUEI CURIOSO PARA CONHECER, É MUITO BONITA. JOÃO MARIA, NÃO TEM COMO IDENTIFICAR NÃO?

  4. Rogério da Silva disse:

    Parabéns Joelma Alves, espero que todos que leiam seu texto desperte para uma consciência crítica e comece entender que a dívida da Nação brasileira e uma social e não biologica ( como a Veja quis colocar no caso dos gêmeos). As escolas públicas ralmente deixam a desejar, porem, em toda a história do Brasil temos pela 1ª vez um governo com coragem de investir um pouco mais na educação, aprimorando o ensino e envestino no professor. Tenho certeza que o povo brasileiro vai deixar de necessitar de esmolas e passará ao desenvolvimento de uma construção protagonizadora.

  5. Antônio Fabrício - Natal disse:

    Sou de acordo com o sitema de cotas adotado pelo governo. Uma vez que os negros são vítimas da evolução histórica e os brancos tiveram todas as oportunidades para se tornarem emacipados, economicamente e politicamente. Quanto a escola pública há realmente muito a discutir: o Estado não prepara a escola para as exigências da universidade.

  6. Marina Ferreira disse:

    Um texo basante inteligente sobre as cotas. Concordo com a autora. Faz-se necesserário ao equilíbrio a diferenciação. Parabés Joâo Maria por postar considerações tão pertinentes.

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