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A FARRA DAS PASSAGENS AÉREAS.

Congresso NacionalO escândalo do uso irregular de passagens aéreas por deputados e senadores maculou novamente o Congresso Nacional. Os parlamentares usam suas cotas de bilhetes para distribuir a parentes, namoradas, amigos e até artistas — caso de Fábio Faria, que deu suas passagens para ex-namorada Adriane Galisteu, sua mãe, entre outros. A crise de identidade da Câmara se aprofundou entre os parlamentares após a farra das passagens aéreas, pagas com dinheiro público, ultrapassando a esfera da falta de ética para a ilegalidade pública.

O que está acontecendo com o Congresso? É uma crise atrás da outra, será que vale a pena perguntar? Será que teremos uma resposta convincente para justificar nossa indignação? O pior é que esta nova crise, palavra banalizada por todos, nos dá a sensação mais uma vez de impotência diante da perplexidade do fato e não mais a versão sobre os fatos. A única explicação para essas enxurradas de escândalos no congresso é que os parlamentares querem nos humilhar, acabar com nossas esperanças na democracia. Envergonhar seus eleitores diante da grande mídia nacional passou a ser uma prática comum entre eles.

São tantas as mordomias que acabamos ficando escandalizados com os excessos cometidos e não mensuramos o valor das mordomias garantidas por lei: verbas indenizatórias; notas fiscais sem comprovante; passagens de artistas famosos para orgias carnavalescas; celulares onde o céu é o limite, etc. E não deve parar por ai, logo aparecerá outro escândalo. Eu pergunto ao nobre deputado das passagens famosas, se ele não fica constrangido diante desse escândalo? Acredito que não, foi eleito pra isso, para o sucesso. Que vergonha o povo do RN está passando neste momento. Primeiro gozaram com nossa cara em eleger um deputado global. Agora, constatada a gozação, estamos pagando pela má escolha que fizemos.  

Por que me incluo e digo nós? Porque somos todos criadores da causa desse problema, por absoluta falta de prática democrática. Somos os culpados pela incapacidade dos deputados e senadores raciocinarem diante da insensatez democrática. Ficamos inertes diante da agressividade ao erário público. Somos omissos, na medida em que, nada fazemos para esclarecer o povo, quando percebemos que na intenção política de determinadas candidaturas, têm o objetivo principal de comprar um mandato parlamentar.

Acredito que para barrar esse tipo de abuso dos parlamentares, será necessário trazer de volta a ordem do dia, o debate sobre a aplicação da Lei, que tipifica como crime no Código Eleitoral, quem vende o seu direito de cidadania, o direito ao voto, ou dele tira vantagem. Mas, ainda é muito insipiente esse debate. Esta conscientização é necessária, pois parte da população condena a corrupção dos políticos, ao mesmo tempo em que dela participa ao aceitar ou solicitar vantagens. A atividade do corruptor é fomentada pela indiferença ou conivência do eleitor.

Texto: João Maria Cavalcanti - Mediador

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