Noticiários veiculados na grande mídia nacional, repetidos na imprensa estadual, nos levam a pensar mais nas mudanças nacionais, nos problemas econômicos do país, nas catástrofes mundiais, a pensar nas realidades locais. Esse tipo de mídia contribui para o esvaziamento de nossas mentes, no sentido de esquecer que a qualidade de vida de cada cidadão começa, na verdade, na cidade em que habita. Sendo, portanto, difícil entender que é preciso fiscalizar, cobrar, pressionar, denunciar, a partir da sua realidade social. Está na hora do cidadão comum assumir responsabilidades e participar da vida pública de sua cidade. Embalados neste som de apatia e esquecimento, somos surpreendidos com a constatação de que nossa cidade representa o atraso político administrativo, onde as mentes convivem com a doença do corpo e do intelecto.
Tento falar de Jardim de Piranhas-RN, onde é preocupante ouvir que parte da sociedade está desistindo da cidade. Ouvir jovens adolescentes dizerem que “nós aqui e’ que manda”, numa alusão ao comportamento deles, alguns analfabetos e embriagados que tentam se organizar em grupos, no intuito de ditar as regras sociais da cidade, é deprimente e exige solução imediata. Identifico cristalinamente o surgimento de uma juventude perdida no tempo e no espaço, sem horizontes e sem referencial, sobretudo, devido à inversão de valores, conseqüência da promoção da incompetência administrativa do município, o que pode vislumbrar o caos familiar. Por isso, é urgente a promoção de ações necessárias para evitar a desconstrução social de Jardim de Piranhas.
Credito parte da difícil situação em que se encontra a cidade, a falta de fiscalização do exercício da administração do município, do controle social das contas públicas. Esta resposta pode ser encontrada no último processo eleitoral. Impulsionado por uma manobra política entre as duas maiores forças do município, o eleitor creditou ao atual prefeito uma situação absolutamente confortável para governar sem ter que enfrentar os dissabores de uma oposição. A população optou democraticamente em eleger todos os vereadores da Câmara comprometidos com o seu projeto de reeleição. Lembro do ditado: “o que não é cobrado, não reage e não se coloca na agenda política”. Ninguém está cobrando nada de ninguém, a sociedade está numa inércia de ação, a cidade está entregue as traças.
Isto não é o que eu entendo por um processo de boa gestão pública. Para mim, quanto mais democrática for à administração municipal, mais respeitada e forte será a oposição ao seu governo. Não se trata de fazer controle contra ninguém, é um controle do gasto do dinheiro público, e em prol de quem paga seus impostos. Mesmo porque se trata de um direito subjetivo de qualquer cidadão e isto não está sendo feito. Vejo que as coisas só começarão a mudar em Jardim de Piranhas, se houver um chamamento de toda a população em direção ao enfrentamento dos problemas que esta administração vai deixar como herança para a população. Nesse aspecto, é mister o surgimento do debate para elevar a moral e a confiança entre os moradores e poder contribuir para a melhoria do processo administrativo municipal.
Texto: João Maria Cavalcanti - Presidente do PT de Jardim.









